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O Oráculo de Plandis .  

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Por Airton França Diniz Junior

Afastei-me pela terceira vez do demônio com chifres enquanto recobrava meu fôlego. A luta se arrastava e a certeza de que sairia vitorioso se desvanecia junto com minhas forças. Meus braços doíam e gotas de suor já banhavam minha fronte. Ajeitei meu elmo e verifiquei minha espada e meu escudo de bronze enquanto aguardava o ataque da besta.

Encontrava-me no coração do covil do monstro, numa caverna localizada no sopé de uma montanha, no fim do Pântano dos Horrores, um local perdido em Abadom, às margens do rio Baloc. Era um local de terra argilosa, escorregadia, com resquícios de água fétida. Árvores mortas, tortuosas, de troncos retorcidos, enegrecidos e raízes expostas cercavam a entrada da gruta que servia de refúgio para a criatura demoníaca que caçava as pessoas da vila perto do rio.

Não havia ninguém para assistir o confronto. Nenhuma alma para presenciar a minha morte, mesmo que ela representasse o último alento de esperança para muitos. Mas era assim que deveria acontecer, uma luta solitária, com somente os deuses como testemunhas. Não era assim que estava escrito?

O demônio com chifres, meu inimigo, vertia fúria pelos olhos, fitando-me com aqueles olhos amarelados, com uma intensidade que faria homens sem coragem correrem para longe. Mesmo seu porte, por si só, já era suficiente para gelar o coração dos mais bravos: um corpo imenso, extremamente musculoso e uma cabeça horrenda, de touro, com chifres e dentes pontiagudos. Em suas mãos uma enorme clava, de madeira duríssima, que manejava com extrema habilidade.

Olhei ao derredor. A caverna era enorme e cheirava a morte. Esta era a casa da criatura, local para onde retornava após caçar homens, mulheres ou crianças desafortunadas e incautas da vila. Eu me perguntava se não era melhor mudarmos de lugar, fugir para bem longe daquele local, mas para onde iríamos nesta terra desolada e cheia de dragões e outras bestas das profundezas? Conseguíramos sobreviver por muitos anos naquele local, sem atrairmos atenções, até que aquele monstro aparecera e transformara nossa vida num inferno.

Eu cuspi sangue, sentindo todo o meu corpo reclamar dos golpes que recebera da criatura e de sua clava maldita. Se não fosse minha armadura e o escudo certamente já estaria com meia dúzia de ossos partidos. Olhei para o sangue do demônio que escorria de minha espada. Meus cortes em seu corpanzil eram profundos, mas pareciam inúteis, apenas o enfurecendo mais ainda... Tudo levava a crer que Cruine só a levaria quando sua cabeça fosse separada do corpo.

Com um urro feroz ele avançou novamente e preparei-me para o embate. Ele já se mostrara extremamente ardiloso e somente por intervenção divina, acredito, eu conseguira escapar das armadilhas que ele colocara no caminho até seu covil. Ele brandiu a clava mais uma vez e o golpe, repleto da força de sua investida, quase me arrancou o escudo junto com o braço. Com uma velocidade espantosa, o segundo movimento quase me acertou o peito, por pouco não me derrubando. Recuei dois passos e roguei aos céus por uma brecha que parecia não existir. Encostei-me à parede fria da gruta. Beco sem saída!

O demônio-touro pareceu sorrir e, urrando ferozmente, golpeou novamente com a clava, certo de que me esmagaria contra a pedra escura. Mas, abaixando-me, minha espada avançou antes e não encontrou resistência contra a carne de seu punho. A brecha… Joguei-me lateralmente e, quando ele gritou de dor, com sua mão caindo para um lado e a clava para o outro, ergui novamente minha lâmina para desferir toda minha fúria contra aquela coisa. O golpe cortou a escuridão, exatamente como fora descrito pelo Oráculo de Plandis, tempos atrás. Eu jamais me esquecerei do dia em que a visitei e tudo começou. O dia em que aprendi que o futuro pertence aos deuses e que os homens não devem nunca esquadrinhar.

***



O guinchar de vários morcegos e o bater de suas asas encheram a caverna, espantados de seu refúgio. Uma velha e carcomida árvore que crescia na entrada da gruta era a morada de uma centenária criatura. O relinchar dos cavalos reverberou pelos túneis, sobrepujando o uivar enregelante do vento, quando os mesmos foram presos. Vozes trêmulas e indecisas de heróis incautos se fizeram ouvir. A criatura esboçou um leve sorriso em uma boca quase sem dentes. Sabia quem eram e porque tinham vindo…

Era noite na Cordilheira de Sotopor. De outro modo era simplesmente impossível encontrar a entrada da gruta, que era de difícil acesso. Tal proteção existia desde tempos antigos, anteriores à época da chegada dos dragões, quando poderosos homens e até reis e príncipes de outras terras consultavam os augúrios da criatura. Era um lugar protegido e bem guardado. Porém, nada mais havia. Os guardas haviam se dispersado com a chegada dos seres draconianos e as consultas deixaram de acontecer. A criatura fora abandonada. Sua solidão só não era completa, pois ela compartilhava da presença de outro ser também atormentado.

Mas a curiosidade que permeia as consciências dos seres sapientes nunca se extinguiria e vários foram os tolos que, ao longo dos anos que se seguiram, procuraram o conhecimento da criatura. Vários foram eles, com diferentes perguntas e anseios.

E, naquela noite gelada de Abadom, mais dois atravessavam as estreitas paredes da caverna que servia de morada, abrigo e prisão para a criatura. Esgueirando-se por entre as pedras úmidas e cascalho escorregadio, eles se questionavam na incerteza de estarem no local certo. A criatura não os culpava por duvidarem. Abadom se tornara um lugar amaldiçoado e várias de suas lendas se mostravam irreais. Mas ela era bem real como logo iriam comprovar os dois cavaleiros que chegavam.

Luzes fracas de tochas logo surgiram, bruxuleando e refletindo-se nas paredes úmidas. Os visitantes se aproximavam. A criatura empertigou-se, balançando o pesado e desgastado manto preto e branco, com o capuz que lhe encobria os membros e as feições. Seus olhos caíram sobre os símbolos, feitos de ônix e pérolas fundidos a uma placa de ouro, sob os seus pés. Duas espirais interligadas. O símbolo de seu deus.

Os dois homens adentraram, finalmente, à câmara. O primeiro se chamava Loel, cavaleiro de espada de bronze, empunhada por poderosos músculos e semblante fechado, com uma grande barba por fazer. Carregava um grande alforje às costas. Sua armadura estava suja e arranhada em vários locais. Os olhos negros, dilatados e dardejantes encontraram a criatura e tiveram a mesma reação de todos que haviam vindo antes dele: medo. Depois entrou um jovem escudeiro, de nome Endris, tocha na mão e o corpo protegido por uma surrada e desgastada armadura de couro rígido. Um grande escudo de bronze pendia de suas costas. Fios de barba, tão escassos quanto sua idade, manchavam seu rosto, onde olhos castanho-esverdeados perscrutaram, amedrontados, a criatura que se erguia à frente. Mesma reação, medo, mas a testa de Endris franziu, o maxilar travou e a mão correu rápida para o cabo do gládio, como se quisesse atacar o ser.

A criatura percebeu, mas não culpou o jovem. As ossadas ao redor de seu altar despertariam a mesma reação.

- És o Oráculo do Senhor da Inconsequência? O profeta das coisas vindouras? – perguntou o cavaleiro. Apreensão, medo e incerteza recheavam a sua voz.

A criatura avançou um pouco até o limite do símbolo sob seus pés. Loel quis recuar. Uma batalha era travada em seu íntimo. O instinto lhe ordenava que fugisse, mas seu treinamento insistia em que mantivesse a firmeza. Não houve resposta. A criatura parecia sondar o cavaleiro.

- És o Oráculo do Senhor da Inconsequência? O profeta das coisas vindouras? – repetiu. Mas desta feita estendeu a mão para que o aprendiz lhe passasse o escudo.

O encapuzado descobriu o rosto e as feições de uma elfa de pele lívida e pálida, de semblante desgastado, cabelos alvos e emaranhados e olhos insanos fitaram o guerreiro.

- Eu sou o Oráculo de Plandis, cavaleiro Loel e Endris. Eu sou aquela dos presságios do amanhã. – disse a elfa, numa voz gutural, que nem de longe lembrava o doce frasear dos elfos do Mundo Conhecido.

Os dois humanos recuaram. O homem de armas, contudo, ergueu novamente a voz.

- Eu vim consultá-la! – disse.

- Como se eu não o soubesse! – respondeu o oráculo – Assim como muitos que não ouviram o que queriam ouvir. Se acreditas que serás diferente dos que te antecederam, és um tolo igual aos demais.

- As lendas falam que o oráculo conhece o amanhã, que sabe o destino futuro e o momento do fim das coisas – disse Loel, parecendo não escutar a advertência da elfa.

- As lendas estão corretas. Mas conhecer o futuro não torna o homem menos tolo que os seus pares. Vês os ossos que te cercam? São de ingênuos e descuidados como você. – A voz da elfa se elevara como se quisesse ratificar sua advertência.

- Tu os mataste, ó Oráculo? – a pergunta de Loel soou com um misto de surpresa e temor.

- Eles se mataram. Pagaram o preço da sua curiosidade. – a elfa olhou fundo para o cavaleiro.

Um silêncio sepulcral pairou entre os dois humanos. Era tão profundo que eles pareciam escutar os próprios corações baterem.

- Eu vim consultar-te – Loel quebrou a quietude – As lendas dizem que deves me responder.

- As lendas estão certas – sussurrou a elfa – Mas existe um preço a se pagar…

Loel depositou o grande alforje aos pés do altar.

- Aqui está. Água e alimento para o oráculo, como falam as lendas.

A elfa riu alto.

- Desta vez as lendas estão incorretas. Não é este somente o preço a se pagar.

O cavaleiro pareceu surpreso.

- Não é somente isto? … Mas não importa, eu aceito qualquer preço a ser pago.

- Olhe a sua volta, guerreiro. Tem certeza?

- Sim, tenho.

- Meu Senhor Loel, não seria melhor se retornássemos? – A voz trêmula do escudeiro quebrou o diálogo, num misto de sensatez e total falta de coragem.

-Quieto! – ordenou o cavaleiro. Voltou-se para a elfa, exigindo – responderás a minha pergunta?

- Pergunte o que desejar, cavaleiro. O oráculo é conhecedor do pregresso, do que é e do que está por vir. – A elfa respondeu com uma reverência – nenhuma pergunta ficará sem resposta.

- Qual é, então, o preço? – Loel hesitou. A arrogância do cavaleiro se desfizera. A aceitação da elfa, o medo de ouvir a verdade ou o raciocínio do preço a ser pago jogaram por terra toda a insolência do guerreiro.

A elfa chegou até a borda do símbolo e disse, em meio a um sussurro sombrio:

- A vida daquele que ousar perguntar ao oráculo…

Loel pareceu não acreditar. – A vida?

- Sim… tu terás a resposta de tua pergunta, mas jamais deixarás com vida este recinto com o teu conhecimento. Esta é a troca permitida pelos deuses. Tem sido assim desde o princípio – o semblante da elfa pareceu endurecer enquanto pronunciava aquelas palavras.

- Meu senhor, Loel, vamos embora. Nada pode ser feito – A voz do escudeiro se tornara um choramingo desalentado.

- Mas nós precisamos da resposta! – gritou o cavaleiro. Sua voz ecoando em meio aos corredores da caverna – O demônio com chifres precisa ser detido, nossa vila corre perigo, aquelas pessoas dependem de nós. Não podemos voltar sem a resposta.

-Mas ela pede um sacrifício. – Endris se controlava para não chorar.

O rosto do cavaleiro se iluminou como se encontrasse a resposta.

- Você, jovem Endris; você poderia se oferecer a fazê-lo.

A elfa sorriu. A covardia humana era a mesma em qualquer época. Mudavam-se os protagonistas, mas a cena era a mesma.

- Eu…? – gaguejou o escudeiro.

- A honra dos nobres que se sacrificam será eternamente lembrada – provocou a guardiã do conhecimento futuro.

- Sim, você. Eu sei que é muito jovem, mas minha força, minhas habilidades e minha espada são necessárias a nossa vila e eu não posso perecer neste momento. – Loel enfatizou as últimas palavras.

- Mas, meu senhor… – Endris estava em prantos.

- Nosso povo depende de você. Por Blator, serás assim tão egoísta e insensível? – o cavaleiro aproximou-se do aprendiz e segurou-o pelas mãos.

- Não… Eu não consigo… Eu não consigo… – o escudeiro meneava negativamente a cabeça.

- Pode sim! Isto vai nos mostrar como matar o demônio que tem afligido nossa vila – a paciência do guerreiro estava se esgotando.

- Não, meu senhor, por favor. Eu não posso – as lágrimas caiam, copiosas, da face de Endris.

- Faça, agora! Ou terei que obrigar-te pela força – Loel agarrou seu jovem aprendiz pelos cabelos e arrastou-o para frente do altar.

O escudeiro permaneceu mudo.

- FAÇA A PERGUNTA! – gritou o cavaleiro.

Silêncio. O jovem aprendiz manteve a cabeça baixa, envergonhado pela própria covardia. Seu corpo tremia em espasmos incontroláveis. O cavaleiro, completamente transtornado pela ira, não via outra escolha senão obrigar o jovem a ter coragem por meio da violência.

O som de uma bofetada irrompeu na caverna. O mestre acabava de esmurrar o aprendiz.

- Ordeno-te que faças a pergunta. Pergunte sobre o demônio com chifres. – Loel estava possesso.

- Eu não consigo… Eu não consigo… – Endris respondeu em meio a soluços.

- COVARDE! – Gritou novamente Loel.

- Desculpe-me, Senhor… – Endris era só lágrimas.

- Pergunte! Diga assim ao oráculo: Como e quando o demônio de chifres irá morrer? Faça ou por todos os deuses eu mesmo irei matá-lo aqui e agora. – vociferou Loel.

- Em dois ciclos solares. Dentro da Gruta, no sopé da montanha no fim do Pântano dos Horrores, pela espada de bronze do guardião da vila do rio Baloc, o homem-touro que chamam de demônio de chifres irá perecer, pois será degolado. Seu reinado de horror irá se findar – respondeu a elfa, secamente.

Loel surpreendeu-se. Alegria estampada no rosto.

- Então vou conseguir matar o demônio de chifres?

- Não… Você iria conseguir derrotá-lo – a elfa disse aquela sentença bem lentamente, observando o semblante tomado pela perplexidade do guerreiro – Mas não teve coragem suficiente para confrontá-lo e veio até mim.

- O quê?! Espere… – Loel pareceu se aperceber do que acontecera – Eu não fiz a pergunta.

- Sim, as fez… Por duas vezes, tolo humano – a elfa ergueu suas mãos esqueléticas – Você deve pagar, agora, o preço do seu conhecimento.

- Mas, eu não fiz a pergunta… Eu não aceitei… – O horror estampou-se no rosto do guerreiro. Ele ergueu sua espada, como se fosse atacar a profetiza…

- Dagon – disse a elfa – o preço precisa ser cobrado novamente!

Dos fundos da gruta uma figura se materializou. Um vulto, uma sombra, meio humana, meio espírito, envolta por uma névoa cinzenta, ora densa, ora translúcida, envergando uma couraça completa gasta e semi-destruída e empunhando um enorme montante partiu em direção do cavaleiro. De seu elmo aberto, um par de olhos verdes brilhantes e uma face tomada de grande agonia e sofrimento fitavam, indiferentes, a vítima. Um som parecido com um horroroso lamento vinha do ser etéreo.

Loel gritou de terror e tentou acertar a criatura com sua espada. O golpe perdeu-se no vazio. O fantasma não podia ser ferido pela sua arma. Percebendo o acontecido, o outrora valoroso cavaleiro fugiu, tentando escapar de seu algoz.

Inútil. O amaldiçoado e atormentado espírito alcançou Loel e atirou-o, como por magia, de encontro às rochas da gruta. Seu escudo e espada foram jogados longe. Em meio aos gritos de agonia e pavor do guerreiro, a criatura findou o destino do cavaleiro com potentes golpes de sua arma.

O preço acabara de ser pago.

O fantasma se foi, desaparecendo nos fundos da gruta da mesma maneira como aparecera.

A elfa fitou a sombra desaparecendo e se perguntou, intimamente, até quando o castigo dos deuses repousariam sobre os ombros do sacerdote Dagon…

Ela, então, observou os restos mortais de Loel. Tolo humano. Uma vez que temia a morte não deveria ter aceitado o preço, nem ter vindo tratar sua covardia neste local. Agora se juntaria aos tantos outros que ali jaziam, frutos da curiosidade sem fim da mente humana.

Por fim, volveu seus olhos para o jovem aprendiz, que ficara ali, imóvel, encostado na parede, temendo ser notado. A expressão de vergonha havia sido substituída pela de pavor. A espada e o escudo de seu antigo senhor repousavam em suas mãos lívidas.

Eles não se moveram por um longo período, até que a elfa perguntou:

- E você, jovem Endris, deseja perguntar alguma coisa?

Ele não respondeu. Partiu, decidido, de volta para sua vila. Seria o arauto da morte de seu campeão.


***




O sangue do demônio de chifres escorre por sobre meus pés e sua cabeça rola pelas pedras da caverna. Seu corpo, estirado no chão sujo, ainda se move sem controle por mais alguns momentos e então para, sem vida.

Finalmente, a agonia e a matança acabaram. Sento-me, tomado de uma fraqueza imensa, mas, ao mesmo tempo de uma calma que não sentia há muito tempo. Observo o homem-touro por um longo período. O silêncio me faz pensar, neste momento previsto há dois anos, sobre os desígnios divinos. Será mesmo que meu destino estava traçado na profecia do oráculo de Plandis naquele fatídico dia? Eu estaria aqui se o cavaleiro Loel não tivesse decidido ir até aquele lugar? A minha covardia merecia ser recompensada desta maneira?

Não importa; nada mais importa. Que os deuses fiquem com as respostas, pois eu não quero sabê-las. Levanto-me e seguro a cabeça da besta pelos chifres e inicio a caminhada de volta para a vila. As pessoas não precisarão mais temer por seus maridos, esposas ou filhos. Meu retorno com a cabeça do demônio de chifres marcará um novo tempo na vida de todos.

Um novo herói surgiu para substituir o valoroso cavaleiro Loel, que entregou sua vida aos deuses para descobrir como matar a maldita criatura e ordenou que eu, seu aprendiz, fosse o novo cavaleiro e protetor do povo, conferindo-me suas armas, seus deveres e direitos.

A mentira dói-me até hoje, mas não poderia ser de outra maneira. Jamais seria aceito novamente na vila se a verdade viesse à tona. Talvez até fosse morto por causa de minha covardia. Mas, nestes dias, eu não estou mais preocupado com isto. Eu vivo em Abadom, um lugar amaldiçoado, esquecido pelos deuses, em que as trevas parecem dominar e onde as virtudes parece que foram deturpadas.

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