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Noite de Prazeres .  

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Por Lucas Amaro da Costa


─ Por que é tão difícil achar uma estalagem decente nesta cidade? – Indagou indignado Arântis, enquanto caminhava pela rua. Sua mão encontrava-se alerta sobre o punho de sua espada de mão e meia.

Já era tarde e, como todos sabiam, nenhuma cidade era segura à noite. Por isso, ele tratou de apressar o passo, mas algo chamou sua atenção. Havia uma mulher parada há alguns metros à frente e estava sorrindo para ele.

─ Creio que agora achei um bom lugar para passar a noite... – Murmurou o espadachim para si mesmo, exibindo um sorriso.

A bela jovem pareceu escutar o que fora dito, pois deu uma pequena risada encantadora e desapareceu por uma porta. Arântis seguiu-a.

O lugar era pequeno, provavelmente uma taverna ou estalagem. Havia algumas mesas e cadeiras espalhadas, um pequeno balcão num canto e, ao lado, uma escada. Alguns pequenos barris estavam dispostos atrás do balcão, dos quais os odores de cerveja e vinho enchiam o ar.

Havia três jovens. Uma recostada em uma cadeira e duas sentadas em cima do balcão.

─ Bem vindo à taverna Três Irmãs. – Disse uma delas, com um generoso sorriso no rosto. – O que um guerreiro tão belo quanto você deseja em nosso estabelecimento?

─ Bem, desejo um copo de vinho, uma refeição simples e uma boa cama para passar a noite. – Respondeu o espadachim.

─ Logo trarei sua refeição e o vinho. Pedirei para que Heliane arrume um quarto para você. – Disse a que parecia ser dona do lugar.

“Os momentos de aguardo não serão desperdiçados”, pensou Arântis ao ver que a jovem que o chamara para dentro da taverna agora vinha em sua direção.

─ Olá, viajante. – Ela se sentou ao lado dele. – Tem uma bela espada, guerreiro. Posso vê-la?

O espadachim fitou-a, e assentiu. Ele se ergueu da cadeira, e desembainhou a arma.

A mulher segurou o punho da espada e ergueu-a. – É pesada. É de Mão e Meia? Arântis assentiu mais uma vez. ─ É muito bela, mas não tanto quanto seu portador. –Elogiou ela com um leve sorriso, devolvendo arma. – Me chamo Arianna.

─ Estou honrado em conhecê-la, tens um belo nome. – Ele fez uma reverência e sorriu. – E quem sabe talvez seja de seu desejo... que eu aprecie um pouco mais desta beleza em meu quarto. – Sugeriu ele.

A mulher apenas sorriu e o deixou, voltando momentos depois com o pedido.

─ Espero que goste. - Disse ela com uma pequena reverência.

O guerreiro agradeceu e começou a comer.

Logo após terminar sua refeição, ele se levantou.

─ Bem, irei para o meu quarto. Amanhã a viagem será longa. - O seu olhar foi para Arianna, que sorriu. ─ Senhorita, você poderia me levar ao quarto?

Ela assentiu e indicou para que ele a seguisse, e parou na primeira porta à esquerda.

─ Venha, entre.

Era um recinto pequeno e simples, com apenas uma cama, uma janela e dois pequenos móveis, um com uma vela e o outro para pôr os pertences dos viajantes.

─ Obrigado.

Em seguida, o guerreiro pediu para que Arianna o ajudasse a retirar sua cota de malha, explicando onde ficava o fecho.

A mulher retirou a pesada cota de malha, que desabou no chão num estrondo.

Arântis tornou a agradecer e desafivelou seu cinto de couro, deixando-o em cima do móvel, junto de sua espada. Então, caminhou na direção da jovem.

─ Tolo. – Falou ela, e sua voz mudou repentinamente. Com uma força absurda, envolveu Arântis em seus braços. Ele começou a ficar vermelho.

─ Droga! – gritou ele

Numa tentativa desesperada de libertar-se, o espadachim recuou para trás, chocando-se contra a parede. A mulher afrouxou o aperto, Arântis libertou-se de seus braços e correu até sua espada, desembainhando-a.

─ O que é você?! - Não fazia sentido, por que ela havia tentado matá-lo?- Responda!

A aparência da jovem começou a mudar, enquanto ela ria tenebrosamente: asas de morcego surgiram em suas costas, e chifres em sua testa.

– Uma súcubus! – Respondeu sua própria pergunta, assustado.

Arântis demorou a descobrir a sua verdadeira forma. Ela se levantou e investiu furiosamente em sua direção. Felizmente não era tarde mais. Ele foi mais rápido. Ergueu a lâmina e desferiu um único corte para baixo.

A súcubus gritou e logo em seguida caiu no chão, morta.

O espadachim correu até a cota de malha e o cinto. Colocou-os sobre o ombro. Não havia tempo para vesti-los adequadamente.

Correu até a porta, ouviu passos desajeitados lá embaixo. O guerreiro fez menção de descer, mas parou no final da escada.

As outras duas irmãs subiam a escada rapidamente, já nas verdadeiras formas.

─ Que Blator me projeta! - Exclamou, e desceu a escada, investindo contra os dois seres.

Infelizmente, para ele, estava em grande desvantagem. Não estava usando armadura. Era difícil golpear naquele espaço e daquela forma, e suas pernas ficavam expostas.

As duas pareciam saber de tal fato, pois enquanto uma o atrapalhava, a outra puxou-lhe a perna esquerda, fazendo-o perder o equilíbrio e cair.

Quando ele chegou ao chão, a dona da estalagem pulou sobre o espadachim e afastou sua espada para longe.

Mas Arântis foi rápido, acertou-a em cheio com um soco na lateral da cabeça. Ela rolou para o lado, inconsciente.

O espadachim se levantou, e pegou sua espada, ficando em guarda.

─ Apareça, monstro! Matarei você como matei sua irmãs! - Provocou.

Ela saltou de trás do balcão, a mão tomou a forma de uma garra que ela cravou facilmente nas costas do guerreiro.

Arântis urrou de dor e se virou, girando a lâmina num golpe lateral que decepou a cabeça da súcubus.

─ Obrigado, grande Blator! - Berrou o espadachim, erguendo a arma ensanguentada.

Ao lado do homem, a dona da estalagem se moveu.

Ele não tinha muito tempo até que ela despertasse. Por isso, começou a derrubar as velas do lugar, levou uma até o segundo andar e ateou fogo nos colchões de palha. Após ter feito isso, desceu rapidamente, logo toda a taverna estaria em chamas.

Arântis permaneceu em frente à taverna por um bom tempo. Agora todo o estabelecimento ardia em chamas. E lá ele ficou até se certificar de que não haveria como algo sobreviver dentro do antigo estabelecimento.

Minutos depois Arântis desapareceu furtivamente dentro da escuridão da noite. Afinal, ainda havia muitas belas jovens, tavernas e estalagens por toda a cidade.

A noite só havia começado.

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Crônicas de Tagmar-volume 2

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